AJUDAS QUE OBTIVE

AJUDAS QUE OBTIVE

Neste PRIMEIRO POST contarei como tudo começou, quando fiquei sem ter para onde ir, já que eu não tinha mais condições de pagar nem um quarto para eu morar junto com a minha filha que neste momento tinha apenas 1 ano.

  1. BUSCAR OS SERVIÇOS SOCIAIS

A primeira coisa a ser feita quando você se encontrar em uma situação de vulnerabilidade é buscar a Trabalhadora Social do seu bairro. Para saber onde está, basta colocar no google assim: Servícios sociales de (escreva o teu bairro) . O resultado costuma sair de primeira!

Quando você ligar para pedir uma cita, mostre que sua situação é muitooo urgente, caso contrário te darão uma cita para mais ou menos 1 mês. Nesta primeira cita, seria para você passar em uma espécie de triagem, alguém responsável pelo centro conversar com você, saber das suas necessidades e logo te derivar a um de seus trabalhadores sociais de acordo com a rua onde você mora. É uma loteria, você não poderá escolher o profissional que vai cuidar de você e decidir sobre coisas muito importantes que poderão mudar a sua vida. Tudo o que você for ou não conseguir dependerá dele (a) . Se você quisesse trocar de profissional, a única forma seria você indo morar e se empadronar em outro lugar.

Algumas pessoas dizem que não conseguiram quase nada com seu trabalhador social, outras já conseguiram muito, então eu vou colocar aqui tudo o que EU consegui, tudo o que eu sei que é possível, para que assim vocês possam lutar até conseguirem receber todas as ajudas possíveis que a comunidade de Madrid oferece ( no caso falarei de Madrid capital, cada comunidade autônoma dentro da Espanha funciona de uma forma distinta ) .

Pois bem, eu estava sozinha com minha filha de um pouco mais de 1 ano, sem ter mais como pagar o quarto que eu vivia então, a minha trabalhadora chamou o Samur Social para que fosse me buscar junto com todas as minhas coisas.

Me levaram até a Sede do Samur Social no bairro de La Latina no centro de Madrid.

Como vocês podem ver, é um prédio público, os funcionários, toda a equipe são muito amáveis e estão prontos para te ajudar e atender a todas as suas necessidades ali. Não tenho o que reclamar durante o período de 3 dias que estive neste local!

Todas as pessoas que são derivadas para estarem com Samur Social, são pessoas «sin hogar», que estão em «situación de calle» intervenidas pelos serviços sociais, a espera de uma solução, um lar definitivo para que possam ir.

Ao chegar, me senti como se estivesse fazendo o chekin em um hostel bem no centro de Madrid, prédio antigo mas muito bem decorado e conservado por dentro, preenchi uma ficha e logo me acompanharam até o meu quarto, ajudando-me com as bagagens. Era um quarto com 2 camas, uma para mim e outra para minha filha. Quarto simples mas com o necessário para poder estar tranquila e em paz com a minha bebê, até conseguirem um lugar definitivo para onde pudéssemos ir.

Do lado de fora neste andar havia 2 vestuários bastante grandes, como aqueles de academia com duchas, espelhos por todas as partes, tudo branco, bastante limpo. Para minha sorte, o feminino ficava quase de frente ao nosso quarto, isso facilitava os banhos na minha bebê e até quando eu queria passar a prancha no meu cabelo durante a noite, eu deixava a porta do meu quarto aberta e conseguia ficar vendo pelo espelho a minha Sabrina dormindo rrs

O perfil de pessoas que estavam ali, eram de pessoas normais, como eu e você, limpas, sem vícios, pessoas aptas para viver de forma comum em sociedade, sem conflitos, algumas mães com crianças pequenas e membros de família que por algum motivo ficaram sem suas casas.

O edifício tinha umas 5 plantas. O térreo é onde ficava a recepção, entrada e saída de pessoas. A primeira planta era somente da área administrativa. Como era tudo com janelas transparentes, conseguíamos ver desde os outros andares, várias mesas com computadores, telefone tocando, funcionários atendendo, trabalhando, arrumando papéis, toda a gestão administrativa estava ali. Logo na segunda planta era o refeitório e também uma ampla sala de estar com tv, livros, revistas, mesa de pebolim, uma infinidade de brinquedos e jogos para crianças, tudo bem limpo, claro, iluminado e janelas com vistas para o movimentado centro de Madrid.

No refeitório tinha os horários para que pudéssemos fazer as 3 refeiçoes diárias.

Eu acordava, me dirigia até o refeitório para tomar o café, depois saía com a minha filha para dar um passeio pelas redondezas. Havia um grande parque bem ao lado onde as pessoas costumavam ir para fazer exercícios, correr, passear com seus cachorros, eu ficava um pouco lá com ela, depois voltava, ficava um pouco na sala de estar vendo um pouco de TV, vendo minha filha brincar e correr de um lado para o outro naquele espaço. Ela estava feliz, creio que nem imaginava a situação que estávamos passando naquele momento.

Quando eu precisei sair, tería que pegar ônibus para acudir a uma cita que eu tinha com a minha trabalhadora social, então me forneceram bilhete de transporte para que eu pudesse ir. ( você precisa dizer que não tem para eles te darem )

Um dia depois que eu cheguei, uma das trabalhadoras sociais do centro, foi conversar comigo. Me fez uma pequena  entrevista perguntando-me, como fui chegar a essa situação de desamparo e também queria saber se eu tinha papéis, pois assim ampliava-se as opções de lugares onde eu pudesse ir. Um pouco mais tarde, ela voltou e me ofereceu um possível local. Era uma residência de monjas (freira) que ficava em Pozuelo de Alarcón, uma região nobre do município de Madrid que fica a apenas 18km do centro.

Neste caso eu tería antes que fazer uma entrevista com a freira responsável do local e caso ela aprovasse a minha entrada, os Serviços Sociais gestionariam uma ajuda para que a Comunidade de Madrid fizesse cargo dos custos, já que era uma residência privada ( particular ) que custava em torno de 300 euros ao mês a cada pessoa que vivesse ali.

No dia seguinte o motorista do Samur Social me levou, conversei com a freira, ela conheceu minha filha e me disse que ali era uma residência exclusiva para mães que estavam sozinhas com seus filhos e como eu me encaixava no perfil, se eu quisesse, tería um quarto disponível naquele lugar.

IMPORTANTE: Como eu não tinha recursos, a minha entrada para viver nesta residência somente foi possível porque eu vivo na Espanha de forma legal, sendo assim permitiu que os Serviços Sociais gestionassem a ajuda para que a Comunidade de Madrid fizesse cargo dos meus gastos, já que era uma instituição privada e não pública. Se eu não tivesse os documentos, eu poderia ingressar nesta residência pagando mensalmente os 300 euros, ou continuar na sede do Samur Social até surgir uma vaga para algum outro lugar onde fosse 100% público.

Nesta situação já começamos a ver a importância de ter os documentos, é muto mais amplo o leque de ajudas que uma pessoa em situação regular poderá ter.

No próximo post os contarei como foi o período que estive nessa residência, como e porque eu saí e para onde eu fui.

Não deixem de ler!

Tatiane Cristina

Tatiane Cristina

Sou uma Brasileira apaixonada por Espanha, residente desde 2008, passei muitas dificuldades neste país desde que cheguei e hoje me sinto apta para contar um pouco de tudo o que sei e aprendi vivendo aqui sozinha sem nenhum apoio de amigos e familiares por perto. Espero que eu possa ajudar com muitas informações aos que estão pensando em vir morar, estudar, passear, trabalhar ou até se aposentar na Espanha! Se você tem o desejo de conhecer como é viver neste país, espero poder te contar um pouquinho. Seja bem vindo!

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